A Pesquisa do Perfil de Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), em parceria com o Banco do Nordeste (BNB), traz neste mês de dezembro de 2011 a análise de novos dados, que contribuem para um melhor entendimento do comportamento do consumidor em relação às dívidas. Os novos dados analisados são planejamento e orçamento familiar e planejamento financeiro.
De acordo com a pesquisa, 68,9% dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e controle eficaz dos seus gastos e rendimentos, o que contribui para um maior controle dos níveis de endividamento. 16,9% dos entrevistados informaram realizar orçamento dos rendimentos, mas sem controle eficaz dos gastos e 14,2% relataram não possuir orçamento e tampouco controle dos gastos. A falta de planejamento orçamentário é um problema crítico para o controle do endividamento, estando sempre entre um dos principais motivos para o atraso ou inadimplência. Dos fatores que os consumidores consideram que mais contribuem para esse problema, lista-se: (i) as compras por impulso, sem necessidade ou além do necessário, com 37,0% das respostas; (ii) a falta de orçamento e controle dos gastos, com 25,7% e (iii) o aumento dos gastos considerados essenciais, com 22,3%.
Endividamento recua, abrindo espaço para retomada do consumo
A Pesquisa sobre Endividamento revela também que 58,7% dos consumidores da capital cearense possuem algum tipo de dívida. O resultado está 2,1 pontos percentuais abaixo do verificado em novembro (60,8%), indicando que existe espaço para a retomada do consumo neste final de ano. Além do percentual de endividados, há ainda a redução na proporção de consumidores com contas em atraso, no comprometimento da renda familiar e da inadimplência potencial.
Contas e Dívidas em Atraso
A proporção dos consumidores com contas ou dívidas em atraso apresenta queda de 1,5 pontos percentuais em relação ao mês de novembro, passando de 21,4% para 19,9% neste mês. Destaca-se a redução expressiva na proporção de endividados no grupo com idade entre 18 e 24 anos, que passou de 23,2% para 19,2%, e do grupo com renda familiar de até cinco salários mínimos, que foi de 23,4% para 20,4%.
O tempo médio de atraso aumentou de 50 para 58 dias, sendo que, em dezembro, 31,3% dos entrevistados relataram estar nessa condição por até trinta dias. Dentre as causas que mais contribuíram para que os consumidores atrasem suas contas cita-se (1) a falta de controle financeiro, com 32,2% das respostas, seguido (2) o desemprego, com 28,9%, (3) dos gastos inesperados, com 25,7%, e da assunção de dívidas de terceiros, com 17,4%.
Comprometimento da renda
Em Fortaleza, 58,7% dos consumidores possuem algum tipo de dívida. Os instrumentos de crédito mais utilizados pelos consumidores são: (a) cartões de crédito, citado por 79,9% dos entrevistados; (b) os empréstimos pessoais, com 12,0% das respostas, (c) o financiamento bancário (veículos, imóveis etc.), com 11,6%; e (d) carnês e crediários, com 10,4%.
O consumidor utilizou o crédito para a compra de itens de alimentação (45,5% das respostas), artigos de vestuário (36,3%), eletroeletrônicos (27,4%), despesas de educação (11,3%) e para a aquisição de veículo (11,7%). Ressalta-se a tendência de aquisição de bens de consumo imediato com instrumentos de crédito e o destaque da aquisição de veículos com financiamento, indicando importantes mudanças nos hábitos dos consumidores. Com valor médio das dívidas em R$ 1.106, a parcela da renda dos consumidores comprometida com o seu pagamento teve redução de 1,7 pontos percentuais com relação a novembro, passando de 27,1% para 25,4% em dezembro. A renda encontra-se mais comprometida com dívidas no grupo de consumidores com renda familiar entre cinco e dez salários mínimo (30,6%) e nível de escolaridade superior (29,7%).
A ampla oferta de financiamento tem modificado o perfil do endividamento do consumidor de Fortaleza, ainda que se concentre no curto prazo, com 76,7% das dívidas em prazos inferiores há um ano e prazo médio de seis meses. Uma das explicações para esse resultado é o padrão de consumo, muito limitado pela baixa renda do consumidor local: a compra de alimentos e itens de higiene pessoal e limpeza comprometeram 52,8% do orçamento familiar, acompanhado dos artigos de vestuário (25,8%), dos eletroeletrônicos (19,2%), despesas de habitação (11,3%) e despesas com educação (10,9%).
Inadimplência potencial
A taxa de inadimplência potencial, ou seja, a proporção de consumidores que não terão condições financeiras para honrarem seus compromissos, apresenta redução, ficando em 5,3% em dezembro, 1,1 ponto percentual abaixo do resultado de novembro (6,4%). O perfil do consumidor inadimplente mostra preponderância do gênero feminino (6,7% de taxa de inadimplência potencial), com idade acima de 35 anos (5,7%) e renda familiar superior a dez salários mínimos (9,4%).
|