Voltar EDUCAÇÃO
Fundador da Escola da Ponte ministra palestra em Fortaleza

É uma escola muito engraçada, não tem sala de aula, não tem séries, não tem provas, não tem nada. Nada das escolas com que estamos acostumados. É a Escola da Ponte, feita com muito esmero em Vila das Aves, Portugal. Para falar dessa experiência, e de como ela pode ser aplicada em outras instituições, seu fundador, José Pacheco, ministra palestra gratuita, dia 02, às 14 horas, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz.

José Pacheco (Foto: Divulgação)

[27 ABR 2006]

Revolucionária, libertária, solidária. Muitos são os rótulos que já foram utilizados para tentar definir a Escola da Ponte, localizada em Vila das Aves, a 30 quilômetros da Cidade do Porto, em Portugal. A escola tornou-se referência em todo o mundo ao ir de encontro ao sistema de ensino tradicional: demoliu as paredes entre as salas de aula, aboliu as turmas separadas por idade, eliminou as provas e os sistemas padronizados de avaliação. No lugar de tudo isso, criou espaços em que alunos e professores podem transitar livremente, formando grupos de estudo a partir de interesses comuns.

O projeto – que, à primeira vista, costuma parecer utópico – vem sendo posto em prática, diariamente, há 30 anos. Tudo isso fruto da iniciativa, e da persistência, do educador José Pacheco, também especialista em Música, Leitura e Escrita. Para relatar essa experiência excepcional e, mais especificamente, discutir o sistema de avaliação adotado na Escola da Ponte, ele ministra palestra gratuita, na próxima terça-feira (02), às 14 horas, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz.

Com professores, estudantes e pais de alunos, José Pacheco vai discutir soluções para problemas freqüentes também em escolas brasileiras. Muitas delas, em situações bem semelhantes às que ele encontrou naquela instituição pública portuguesa, e que o motivaram a buscar uma forma inovadora de ensinar: “Em 1976, a Escola da Ponte defrontava-se com um complexo conjunto de problemas: seu isolamento ante a comunidade do contexto, o isolamento dos professores dentro da escola, sutis ou claras manifestações de exclusão escolar e social, indisciplina, ausência de um verdadeiro projeto e de reflexão crítica sobre as práticas”, relatou, em entrevista recente à revista Nova Escola.

Na tentativa de reverter esse quadro, diversificação, autonomia, solidariedade e cooperação passaram a ser as palavras-chaves do sistema de ensino. Com o fim das turmas ou classes, crianças de diversas faixas etárias convivem no mesmo espaço, integram os mesmos grupos. “O critério de formação dos grupos é afetivo e o afeto não tem idade”, argumenta.

Os conteúdos também não são fixos, adequam-se ao interesse e ao ritmo dos alunos. “Efetivamente, são os alunos que decidem. E os professores estão lá, atentos e disponíveis. Quando compreendemos que cada criança é um ser único e irrepetível, que seria errado imaginar a coincidência de níveis de desenvolvimento, concluímos que não podemos pautar o ritmo dos alunos pelo ritmo de um manual ou pela homogeneização operada pelos planos de aula destinados a um hipotético aluno médio”, completa José Pacheco.

Os resultados dessa experiência inovadora também surpreendem. Uma avaliação feita pelo Ministério da Educação de Portugal, em 2003, identificou que o desempenho de alunos que tinham passado pela Escola da Ponte era consideravelmente superior ao dos egressos de escolas tradicionais. José Pacheco, porém, ressalta que isso não é para eles o mais importante: “Sem deixar de ‘dar o programa’, nós vamos além do aprender a ler, escrever e contar, porque educar é mais do que preparar alunos para fazer exames, é ajudar as crianças a entenderem o mundo e a realizarem-se como pessoas, muito para além do tempo de escolarização”, resume.

SERVIÇO: Palestra com José Pacheco, fundador da Escola da Ponte – Dia 02 de maio, às 14 horas, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, 1701 – Centro). Gratuito.

 

Topo