[29 de junho]
O IPDC divulgou ontem a sua pesquisa Conjuntural do Comércio do mês de abril de 2006 e o Índice de Endividamento do Consumidor de Fortaleza de junho de 2006. As mulheres, entre 18 e 24 anos de idade, com 1º grau de escolaridade e renda familiar de até cinco salários mínimos, lideram o ranking dos endividados no mês de junho. Esse grupo atinge um índice de 35,28%, superior em 4,47 pontos percentuais a taxa média da população, que ficou em 30,81%. O sexo feminino possui também maior taxa de inadimplência em potencial — 8,90%.
“As mulheres são responsáveis pelas compras da família. Tradicionalmente, o homem não gosta ou não sabe comprar. Elas estão mais presentes, desempenham fator decisivo nas vendas”, diz a diretora executiva do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), Renata Serra.
Ela ressalta que as dívidas nem sempre são das mulheres, que muitas vezes emprestam o nome para familiares. “Não resta dúvida que há um ponto cultural, mas também o público feminino parece não estar se planejando”, complementou.
A análise do IPDC aponta que a taxa de endividamento de 30,81% constatada em junho é 4,16 pontos inferior ao valor registrado em maio e 2,88 pontos superior ao de junho de 2005.
Nos últimos três meses (abril a junho) a taxa de consumidores com dívidas ou contas em atraso atingiu a média de 32,80% enquanto essa taxa no 1º semestre de 2006 correspondeu a 33,42%. A média nos últimos doze meses foi de 31,35%.
“Um terço de uma população com dívidas surpreende, mas quando comparado com Maceió, que chega a 56% e São Paulo a 64%, o índice não é tão alto assim”, avaliou Renata Serra.
As taxas de consumidores com contas ou dívidas em atrasos referem-se a cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel e prestações de carro e de seguros.
RENDA — Pessoas do sexo feminino também são as que mais comprometem a renda com dívidas, atingindo uma taxa de 24,92%. No geral, o índice corresponde a 23,30% no mês de junho, percentual 3,97 pontos superior ao registrado em junho de 2005 (19,33%). No último trimestre (abril a junho), essa taxa ficou em torno de 23,11%, percentual igual à média registrada no 1º semestre de 2006. A média nos últimos 12 meses foi 21,54%.
Em junho, o nível de comprometimento de renda está mais alto entre as consumidoras com idade igual ou superior a 35 anos, nível superior e renda familiar mensal entre cinco e 10 salários mínimos. O perfil obtido no semestre foi semelhante, com exceção do grupo etário predominante, o qual nesse caso foi de consumidores com idade entre 25 e 34 anos.
POTENCIAL — A faixa de renda que apresentou maior taxa de inadimplentes em potencial no mês passado está na faixa que ganha até cinco salários mínimos — um percentual de 8,81%. No geral, o índice ficou em torno de 8,29%, que corresponde a 0,86 ponto percentual superior ao de junho de 2005.
PESQUISA CONJUNTURAL
A pesquisa conjuntural do Comércio de Fortaleza relativa a abril apresentou variação negativa em vários comparativos. Em relação a março, o faturamento de vendas caiu 4,74%. Na comparação com igual mês de 2005, o resultado continuou negativo ( - 4,25%). O recuo foi de 1,54% no acumulado do quadrimestre e de 2,61% nos últimos 12 meses.
Na avaliação de Renata Serra, o comportamento do comércio, mesmo com variação negativa, obteve vendas satisfatórias em alguns setores. “A base de comparação com o ano passado é muito alta. O primeiro semestre (de 2005) foi muito positivo, o país deu aquele boom em termos de estabilidade e crescimento da macroeconomia”.
De acordo com a pesquisa, em abril, influíram negativamente nos resultados comparados com abril de 2005, as lojas de autopeças e acessórios (-23,84%), as de vestuário, tecidos e calçados (- 23,1%) e as concessionárias de veículos (-20,83%). Já as lojas de eletrodomésticos (8,22%), supermercados (2,71%) e lojas de departamento (0,75%) contribuíram de forma positiva nas vendas.
Os preparativos para a Copa do Mundo, provavelmente, colaboraram com as vendas em setores como eletroeletrônicos (49,98%), supermercados (32,14%), e combustíveis/lubrificantes (17,06%).
No primeiro quadrimestre de 2006 em relação a igual período de 2005, apresentaram variação positiva as lojas de eletrodomésticos (46,32%), os supermercados (39,18%), as lojas de eletroeletrônicos, óticas e cine-foto-som (29,09%) e os postos de gasolina (22,84%).
Nesse período, os setores com desempenho negativo foram as concessionárias de veículo (-18,68%), autopeças e acessórios (-19,98%), lojas de vestuário, tecidos e calçados (-15,74%).
CHEQUES — A inadimplência de cheques no comércio de Fortaleza em abril foi de 2,63%, enquanto a média nos primeiros meses do ano ficou por volta de 2,30%. Em abril de 2005 esse índice era de 1,6%. Os setores mais penalizados com cheques sem fundo foram supermercados e farmácias (6,29%), lojas de tecidos, vestuários e calçados (4,2%) e autopeças e acessórios (3,81%). (IM)
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