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Valsa Nº 6
A Cia. Teatro do Pequeno Gesto do Rio de Janeiro encena o único monólogo escrito pelo célebre dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues

[14 JUN 2007]

Fotos: Divulgação

Mais um espetáculo da Mostra Palco Giratório do Sesc chegou ao Ceará nessa semana. O espetáculo, encantou a platéia que esteve no Teatro Sesc Emiliano Queiroz nessa quarta-feira (13), foi Valsa Nº 6, do dramaturgo Nelson Rodrigues, na montagem do Grupo Teatro do Pequeno Gesto, do Rio de Janeiro. A companhia, formada em 1991, se dedica à encenação de textos clássicos. E, desde janeiro de 1998, também à edição de Folhetim, revista de ensaios sobre teatro. O espetáculo segue se apresentando nos dias 15, 16 e 17 nas unidades Sesc de Sobral, Iguatu e Crato.

Uma das particularidades do Teatro do Pequeno Gesto está no núcleo gestor, composto pelo diretor Antonio Guedes e pela dramaturgista Fátima Saadi. Seus espetáculos, mais do que realizações cênicas, são resultados de estudos literários e teóricos. O foco de suas encenações se coloca sobre o texto e a fala do ator.

Sinopse 

VALSA Nº 6, único monólogo de Nelson Rodrigues e revela, mais uma vez, as obsessões do autor. A história, cuja fragmentação lembra Vestido de Noiva – peça também de Nelson que inaugurou o teatro moderno no Brasil –, procura revelar um personagem que não se lembra quem é. E este é o mote da peça: quem é Sônia e onde está Sônia?

Juntando os pedaços de memórias evocados em cena, podemos saber que Sônia foi assassinada, aos 15 anos, pelo seu médico enquanto tocava a Valsa nº 6, de Chopin. Podemos saber que Sônia era apaixonada por Paulo e que sonhava com o dia em que ele beijaria a sua boca. Mas, ao mesmo tempo, ela repudiava o contato físico com qualquer homem. Nelson trabalha a contradição como uma marca da passagem, da transição. Sônia está entre a menina que foi e a mulher que será. Mas a Sônia que vemos em cena, lembrando-se do seu assassinato, também está numa transição entre a vida e a morte.

Valsa e o Pequeno Gesto 

O Teatro do Pequeno Gesto encenou esta peça em 1994. Naquele momento o espetáculo foi convidado para se apresentar em alguns festivais nacionais, entre eles o I Porto Alegre em Cena. Valsa nº 6 integrou o repertório do Pequeno Gesto até 1996, sendo “aposentada” devido às dificuldades de conciliar as apresentações com outros compromissos da atriz.

Agora, 13 anos depois, a Cia. resolveu encenar outra vez este texto, em busca de uma nova leitura, construindo um espetáculo totalmente redesenhado, inclusive, contando com uma equipe também nova. A Valsa nº 6, objeto desta proposta é, portanto, um espetáculo inédito no que diz respeito ao conceito e à estrutura da cena.

Esta versão da Valsa, mergulha mais radicalmente numa leitura de Henriete Morineau, diretora da primeira montagem deste texto em 1951: “para mim, é essencial entender que a personagem não existe”. Isso quer dizer que a pergunta feita pelo personagem em cena – “Quem é Sônia e onde está Sônia” – deverá persistir mesmo após a revelação da sua história. Em cena, temos, na realidade, a atriz que empreende um jogo de representação no qual às vezes simula vários personagens da vida de Sônia, às vezes se assusta com o nome da personagem, mas que, na verdade, elabora em cena a possibilidade de existir um personagem.

O diretor Antonio Guedes tem sua carreira identificada com a obra de Nelson. Seu espetáculo de maior repercussão foi A serpente – que lhe valeu 2 indicações para o Prêmio Shell em 1998. Além disso, foi convidado para fazer a apresentação do volume 4 das Obras Completas de Nelson, sem contar com a participação no seminário Nelson Rodrigues e a cultura brasileira, realizado no Festival Recife do Teatro Nacional.

Projeto Palco Giratório

Apresentações artísticas, oficinas, trocas de metodologias de criação e construção de cena, debates, conversas com o público, mesas-redondas temáticas. O Projeto Palco Giratório de Artes Cênicas, realizado pelo SESC Nacional em parceria com os Departamentos Regionais do SESC, recomeçou circuito pelo país, levando entretenimento, intercâmbio e reflexão teatral a 22 estados, além do Distrito Federal. Até novembro mais de 70 cidades de todas as regiões receberão o projeto.

Nesta edição são 12 grupos teatrais (e respectivos repertórios) de sete estados: São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Paraná, Rio de Janeiro e Ceará. Deste, entram no circuito: Grupo Bagaceira de Teatro, de Fortaleza, com o espetáculo O Realejo, e Cia. Carroça de Mamulengo, de Juazeiro do Norte, com Histórias de Teatro e Circo.

SERVIÇO 

SOBRAL
15/06 - 20h - Teatro São João - R$ 6,00 e R$ 3,00

IGUATU
16/06 - 20h - Teatro SESC Iguatu - R$ 4,00 e R$ 2,00

CRATO
18/06 - 20h - Teatro SESC Crato - R$ 4,00 e R$ 2,00

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