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Mostra Naïf
I Mostra Sesc de Arte Naïf está em cartaz simultaneamente em sete unidades do Sesc no Ceará

Obra do artista Cocão. (Foto: Junior Panela)

[14 AGO 2007]

Começou no último dia 13 a I Mostra Sesc de Arte Naïf. As exposições acontecem durante todo o mês de agosto, nas unidades de Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte, Sobral e Iguatu, reunindo 108 obras de 14 artistas cearenses, com curadoria de Zé Tarcísio e consultoria de Descartes Gadelha. Numa atitude inovadora, o Sesc articulou artistas de expressão Naïf, organizadas a partir do histórico Grupo Imagem das Cores, do saudoso Isaías Silva. O Sesc Ceará tem fomentado e difundido a visibilidade dos artistas de diversas expressões estéticas. 

A I Mostra Sesc de Arte Naïf representa uma importante iniciativa na busca do reconhecimento

desse segmento artístico, tão presente em ruas, praças e galerias, embora muitas vezes invisível ao reconhecimento social. As obras do Grupo Gira Sol, junto com artistas representantes de Crato e Juazeiro, comporão uma exposição simultânea em cinco cidades e sete unidades do Sesc - em Fortaleza, são três unidades: Sesc Senac Iracema, Sesc Fortaleza e Sesc Centro.

O pesquisador e videomaker Henrique Dídimo entrevistou os artistas sobre o trabalho de cada um e captou imagens dos trabalhos nos "ateliês", as reuniões entre artistas, curador e articuladores do Sesc para a elaboração do projeto da Mostra e os bastidores da montagem. Tudo isso poderá ser visto no documentário Cores da Vida, encartado no catálogo da exposição.

Sob a curadoria do artista multimídia Zé Tarcísio e consultoria de Descartes Gadelha, a Mostra procura mais que dar respostas ao que é Naïf, ela lança novas indagações. Os artistas não representam a diversidade criadora presente do Ceará e sim a superação de rótulos. 

Arte Naïf

Obra "Os Vários Mundos" de Firmino SilvaSegundo romantizam os entendedores do estilo, a arte naïf existe desde o início dos tempos. Data da era em que o homem sentiu necessidade de criar espontaneamente, de registrar em imagens uma narrativa imediata de seu entorno e de seu cotidiano.

A designação surgiu bem depois: a história registra que o nome naïf (do francês, cujo significado é ingênuo) foi dado no Salão dos Independentes, em Paris, no final do século 19, numa referência direta à liberdade e ao descompromisso com que as cores e os traços tomavam a tela, desrespeitando escolas e tradições. Conta-se que o primeiro pintor naïf teria sido o francês Henri Rousseau, rejeitado pelos acadêmicos de sua época por não seguir as tais normas da pintura. No Brasil, embora se considere Cardosinho como o precursor dessa arte, o primeiro artista a ter significativo foi Heitor dos Prazeres, em 1951.

Conhecido também como primitivo moderno, o gênero é, uma manifestação simples feita por pessoas igualmente simples e em geral retrata o universo rural. Exatamente por essas características, o Brasil é um terreno fértil para a sedimentação do estilo. Um bom exemplo dessa inclinação natural é o artista José Antônio da Silva. Considerado o maior naïf do País, ele é reconhecido e respeitado também no exterior; um verdadeiro contraste para quem foi criado de pés descalços na roça, capinando em sítios da região de Rio Preto, interior de São Paulo, semi-analfabeto e filho de gente humilde.

Catálogo da Mostra Sesc Naïf 2007O Catálogo Naïf

O catálogo Naïf reúne 28 das 108 obras selecionadas para a primeira edição da Mostra SESC de Arte Naïf. São duas obras de cada um dos 14 artistas participantes, fotografadas por Júnior Panela e Adelmar Filho, com projeto gráfico dos designers Jocelino Neto, Alderico Leão, Érico Gondim e Emiliano Cavalcante. O catálogo conta ainda com textos de abertura de Zé Tarcísio e Descartes Gadelha. O livro traz encartado DVD com o documentário Cores da Vida, dirigido por Henrique Dídimo. As peças estão sendo vendidas nas lojas Sesc Mania nas unidades onde acontecem as exposições por R$ 25,00.

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