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Pesquisa revela queda do endividamento em agosto

Pesquisa revela queda do endividamento em agosto

Diminuiu o endividamento do consumidor da Capital cearense. É o que aponta a Pesquisa do Endividamento do Consumidor de Fortaleza para o mês de agosto. De acordo com o levantamento, o índice veio -4,2 pontos percentuais abaixo do indicador do último mês de julho (67,9%) e inferior ao índice de agosto do ano passado (70,3%). Por outro lado, a pesquisa revela que 63,7% dos consumidores da capital cearense possuem algum tipo de dívida.

Acompanhando a queda do endividamento, os demais indicadores da pesquisa mostram melhoria: a proporção dos consumidores com contas ou dívidas em atraso teve queda de -2,0 pontos percentuais, passando de 22,9%, em julho, para 20,9% neste mês. Os problemas financeiros afetam mais as mulheres (21,0% dos entrevistados desse grupo afirmaram possuir contas em atraso), os consumidores do grupo com idade ente 25 e 34 anos (25,4%) e do estrato com renda familiar abaixo de cinco salários mínimos (22,0%).
A crise econômica que afeta o país trouxe muitas dificuldades para o gerenciamento das dívidas pelo consumidor, colaborando para a perda da qualidade do crédito e desarranjo dos orçamentos familiares. O ponto mais crítico foi atingido em agosto de 2016, quando a taxa de consumidores com contas em atraso atingiu o pico de 28,1%. No segundo semestre do ano passado iniciou-se um movimento de acomodação gradual, que continua ao longo deste ano.

Segundo a pesquisa, o tempo médio de atraso é de 77 dias e a principal justificativa para o não pagamento das dívidas é o desequilíbrio financeiro – a diferença entre a renda e os gastos correntes – citado por 68,2% dos consumidores. O segundo motivo mais citado é o adiamento por conta do uso dos recursos em outras finalidades, com 26,3%, seguido da contestação da dívida, com 6,9%.

Comprometimento da renda
Em Fortaleza 63,7% dos consumidores possuem algum tipo de dívida. Os instrumentos de crédito mais utilizados pelos consumidores são: cartões de crédito, citados por 78,9% dos entrevistados; financiamento bancário (veículos, imóveis etc.), com 13,2%; empréstimos pessoais, com 8,6%; e carnês e crediários, com 7,2%.

A pesquisa mostra ainda que o consumidor utilizou o crédito para: consumo de itens de alimentação (62,1% das respostas); compra de artigos de vestuário (38,4%); aquisição de eletroeletrônicos (30,5%); e realização de despesas de educação e saúde (28,0%). O valor médio das dívidas é estimado em R$ 1.186, com prazo médio de sete meses, comprometendo 33,6% da renda familiar dos consumidores com o seu pagamento.

Inadimplência potencial
A taxa de inadimplência potencial, ou seja, a proporção de consumidores que não terá condições financeiras para honrar seus compromissos, teve diminuição de -0,5 pontos percentuais, passando de 10,4%, em julho, para 9,9% neste mês. O resultado também é inferior à taxa de agosto do ano passado (13,4%), mantendo a tendência de queda do indicador.

O perfil do consumidor inadimplente mostra preponderância do grupo de consumidores do sexo feminino (inadimplência potencial de 10,6%), com idade acima dos 35 anos (11,5%) e renda familiar inferior a cinco salários mínimos (10,7%).

Orçamento familiar
A Pesquisa de Endividamento também revela que 79,0% dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e acompanhamento eficaz dos seus gastos e rendimentos, o que contribui para um melhor controle dos níveis de endividamento. Dos entrevistados, 12,4% relataram que fazem orçamento dos rendimentos, mas sem controle eficaz dos gastos e 8,7% informaram não possuir orçamento e tampouco controle dos gastos.

A falta de planejamento orçamentário é um problema crítico para o controle do endividamento, estando sempre entre um dos principais motivos para o atraso ou inadimplência. Dos fatores que os consumidores consideram que mais contribuem para esse problema, estão: a falta de orçamento e controle dos gastos, com 39,5%; o aumento dos gastos considerados essenciais, com 30,3%; as compras por impulso, sem necessidade ou além do necessário, com 28,0%; compras antecipadas, com 18,7%; redução dos rendimentos, com 17,1%; e desemprego, com 10,5%.

Saiba mais
O Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC) da Fecomércio-CE foi criado para suprir a ausência de informações práticas e de dados estatísticos confiáveis que auxiliassem as ações de planejamento e de desenvolvimento das empresas do segmento de comércio de bens, serviços e turismo. O Instituto realiza e desenvolve pesquisas, sobretudo, de viés econômico, fornecendo dados referentes ao comportamento do consumidor, a situação econômica do comércio local e as tendências de mercado e de consumo dos fortalezenses.

A pesquisa de Endividamento é realizada mensalmente e tem como objetivo indicar a capacidade de endividamento do consumidor de Fortaleza, visando conhecer o comprometimento financeiro desse, em relação ao comércio local. Quatro indicadores distintos são verificados nessa pesquisa: Taxa de Consumidores com Contas ou Dívidas em Atrasos; Taxa de Comprometimento da Renda do Consumidor; Taxa de Inadimplência em Potencial e Planejamento Financeiro e Orçamento Familiar. Mensalmente, cerca de mil consumidores da região metropolitana de Fortaleza são entrevistados pelo IPDC para a realização desta pesquisa.